A imagem foi retirada daqui.Se a teimosia é um valor, então vivam os burros!
Ontem à noite, no “rescaldo” feito na blogosfera, foi possível apreciar um pouco de tudo sobre a manifestação: enfatizou-se, de novo, a quantidade — 50… 55… 70… 80 mil? —, vieram a terreiro os recém-convertidos ao “racionalismo moderado”, concluindo que ninguém ganhou e ninguém perdeu, antes pelo contrário, e constatei também a satisfação estampada nas páginas de alguns blogues ditos “influentes”. É óbvio que o Dardomeu teve de sair da sua ostra para perceber tudo isso: não é um blogue “in”, mas continua a pedir meças no que à fluência diz respeito. Ora vamos lá então ser fluentes!
Quanto a mim, estão de parabéns os professores, os sindicatos e os blogues. Apesar de alguns terem preferido a praia, depois de uma inscrição para “inglês ver” — mas esses, «em toda a parte, todo o mundo tem» como diz o Zeca —, os objectivos foram totalmente cumpridos. Não me venham dizer que com “XL mil” teriam sido mais cumpridos, e muito mais ainda com ”XXL mil”. Se o tamanho contasse assim tanto, já nos teríamos visto livres da pior ministra de sempre há muito tempo. Esta manifestação — a mais importante — teve quantidade e qualidade mais do que suficientes: a sociedade percebeu claramente que o professorado não se entregou e que continua a denunciar veementemente o caos que reina no ensino; a ministra e a sua “entourage” compreenderam que os seus dias — e as suas desastrosas ideias — estão a chegar ao fim, porque o sistema imunitário do ensino os repele como corpo estranho e nocivo; os partidos políticos — incluindo este PS — comprovaram “cientificamente” que as mentiras da senhora ministra e dos seus acólitos não se sobrepõem à realidade, por muito importantes e arrogantes que sejam tais personagens. E o que comprovaram? Que é preciso recolocar o ensino no seu lugar, um lugar onde os alunos voltem a ser alunos, os professores voltem a ser professores, e as escolas voltem a ser escolas.
Ontem, os professores — com muita classe e dignidade — deram uma magistral lição de persistência, de tenacidade e, sobretudo, de fidelidade aos princípios que enformam e norteiam a sua missão. Os professores disseram ao país que não são cúmplices deste “golpe palaciano” que se está a perpetrar contra a Escola Pública, que este rio triste não desagua na foz anunciada, mas numa vertiginosa catarata.
Luís Costa
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