
Favor é jogo que anda sem se ver,
é comida que rói, e não se sente;
é um contentamento indecente,
é cor que não combina sem feder.
É não querer mais que corromper;
é um andar falsário entre a gente;
é nunca contentar-se honestamente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso à irmandade;
é ungir que convence o devedor;
é ter com quem borrata, lealdade.
Mas quem acusar pode um corruptor,
dos tubarões humanos entidade,
se tão sectário assim é o favor?
Luís Costa
Poema-ladrão do soneto de Camões "Amor é fogo que arde sem se ver".
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