Em muitas escolas, os diretores, envergando confortável o fato de caciques de um poder determinado a reduzir a Escola Pública a um serviço mínimo instrutivo, têm sido os garantes de todos os desmandos governamentais. No seu íntimo, já não se veem como professores.
Usando os poderes que a Lei lhes confere — sobretudo a varinha de condão chamada Avaliação Docente —, mas também aqueles que o medo instalado vai copiosamente outorgando, muitos diretores têm transformado “as suas escolas” em microcosmos de medo, de censura, de falta de liberdade, enfim, estufas de “totalitarismo democrático”. Paralelamente, essas escolas vão consolidando uma natureza bífida: inóspitas e castradoras na realidade quotidiana; integradoras, motivadoras, promotoras de sucesso e de realização pessoal e profissional em tudo o que é papel (pautas, relatórios, projetos, estatísticas, avaliações diversas…). Enfim, a hipocrisia tem-se instalado como paradigma curricular. É uma escola barata que dá para aviar as necessidades mais imediatas e mais básicas do sistema.
Não me admira nada que o Governo esteja a tentar, por todos os meios, evitar que os seus caciques sejam removidos deste quadro; não me admira nada que o Governo que tem os propósitos acima descritos queira reforçar ainda mais o poder das autarquias no Conselho Geral, dando a este órgão o poder de avaliar (controlar) o Diretor; não me admira nada que o Governo não queira ver gente “independente” e identificada com uma certa verticalidade docente à frente das escolas; o Governo sabe que é aí que está a pedra de toque.
É preciso que os sindicatos se mantenham intransigentes nesta matéria. Nas escolas onde há direções que terminam mandatos antes do final de 2012/2013, é fundamental que o processo de candidaturas prossiga na sua normalidade. É urgente, nessas escolas, que o corpo docente se una, sem medos nem tabus, e crie sinergias em torno de pessoas capazes de abrir janelas e deixar entrar oxigénio.

3 comentários:
É bem verdade, Luís!
E quanto aos "mega-ajuntamentos"? Parece que vão continuar...
Bom domingo!
Os ajuntamentos vão continuar de vento e popa e, ao que julgo perceber cá pelas minhas bandas, o pessoal já está por tudo. Ninguém quer saber de coisa nenhuma.Tudo ao molhe e fé em Deus.
Já vou no 3º ajuntamento!
Abraço
Como gostaria de as ver oxigenadas!
Acho que ficaremos na mesma ou até pior...
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